sexta-feira, 16 de abril de 2010
Em princípio, "gótico" é um adjetivo que se refere a tribo dos Godos, povo de cultura germânica que habitava a região do baixo Danúbio, localizados na parte leste (Ostrogodos) e na parte oeste (Visigodos). Sabe-se muito pouco a respeito desse povo, já que eles não escreviam, e o que chegou até nós foi por intermédio do bispo Ulfilas, que registrou sua língua e costumes enquanto ensinava-lhes a Bíblia. Atribui-se a esse povo participação no desmantelamento do Império Romano no século IV. Através de sucessivos ataques pelo norte, os Godos ajudaram a enfraquecer o poder central em Roma.
Posteriormente, os Godos invadiram grande parte do império romano e se tornaram rapidamente rom
anizados. Os Visigodos se espalharam pela Europa, no século V, e chegaram até a península ibérica. Sua presença poderia ser notada em palavras como Catalunha, de Gothalania (não comprovado), Fernando , de Frithernandus (nãocomprovado) e albergue, de Haribergo. Sendo um povo nômade e de pouco registo cultural os traços sua presença já haviam sido diluídos pela cultura romana no século VII. A presença gótica em Portugal é tratada num contexto histórico e ficcional pelo escritor Alexandre Herculano em Eurico, o Presbítero (1844).
No século XII, o monge Suger surge com uma inovação arquitetônica que promete acabar com as igrejas escuras. A igreja de Saint Denis é a primeira a utilizar a substituição das paredes
por vitrais coloridos, avanços estes obtidos através de arcobotantes, cruzarias e contrafortes como opções de sustentação. O crítico de arte Vasari batizou esse novo estilo de gótico ou estilo ogival, cujo arco quebrado seria símbolode mão postas ao céu em oração.
Nos últimos anos, temos visto um grande número de informações sendo divulgadas sobre "góticos", sem critério e conhecimento empírico. Infelizmente, estas informações favoreceram o surgimento de inúmeros mitos e consagraram alguns equívocos, emergindo um inesgotável acervo de rótulos, teorias e denominações, muitas vezes precipitadas e não coerentes, tanto à Subcultura Gótica/Darkwave quanto à Cultura Obscura.
Devido a alguns fatores comuns, a cultura obscura surgida em meados da década de 90, foi associada à subcultura gótica que se consolidou na década de 80. Os adeptos da cultura obscura foram, genericamente, denominados góticos. Partindo deste princípio, aspectos comportamentais e artísticos da cultura obscura foram classificados como "goticismo". Sendo que este termo, originalmente, refere-se apenas à Literatura Gótica. Desse modo, as duas manifestações, subcultura gótica e cultura obscura, que são significantemente distintas, mas também cultivam pontos comuns, foram erroneamente classificadas como uma mesma manifestação.
A associação entre cultura obscura e subcultura gótica, gerou um falso conceito de que a cultura obscura seria uma "evolução" da subcultura gótica. Esta idéia pode ter sido indiretamente fortalecida pela indústria fonográfica especializada e suas distribuidoras, e por revistas que atuam no segmento do Metal, ao difundir o Gothic Metal, um dos gêneros musicais mais consumidos na cultura obscura.
O rótulo Gothic Metal faz pressupor que este seria um "novo estilo que fez ressuscitar a extinta subcultura gótica". Mas é preciso salientar que a subcultura gótica nunca se extinguiu; pelo contrário, mantém-se ativa e renovada desde sua origem nos anos 80. Portanto, em hipótese alguma, a cultura obscura é, nem pode ser considerada, uma evolução ou um aprimoramento da subcultura gótica.






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